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Capítulo II – Antecedentes de Animação
Os antecedentes da Animação Sociocultural, são por nós entendidos como acções com dimensões social, cultural e educativa que visam dinamizar programas junto das populações. Estes antecedentes remontam aos inícios do século XX, ressaltando acções e tendências, como as novas correntes pedagógicas, inspiradas em Decroly, na Bélgica e Maria Montessori em Itália. Encontramos, ainda, através da existência de prenúncios de Animação em muitas acções dos âmbitos cultural, social e educativo, durante a vigência da primeira república, nomeadamente através das universidades livres, universidades populares e escolas móveis. Destacámos, ainda, a acção meritória do movimento associativo e as sociedades de cultura e recreio, o cooperativismo, o sindicalismo, o catolicismo social e o laicismo educativo. Com a fundação do Estado Novo, realçámos a intervenção da FNAT e concluímos que promoveu uma acção cujo objectivo central foi o de prosseguir actividades de entretimento, a partir de iniciativas que não exigissem reflexões profundas, em torno de temas relacionados com a vida das pessoas. Apresentámos, igualmente, a perspectiva dualista da Animação, no tempo do Estado Novo, em que uma corrente situacionista, promotora da desanimação, se confrontava com uma corrente oposicionista que impulsionava iniciativas mobilizadoras nos âmbitos social, cultural, educativo e político, visando dar ou devolver dignidade às pessoas, consciencializando-as para os muitos problemas existentes. Rematamos este capítulo com a referência à “primavera marcelista”, que constituiu motivo de esperança da abertura do regime. Este período final do Estado Novo, embora apresentasse, no plano formal, alguma abertura ao assumir programas de Animação e difusão no plano legislativo, no plano prático caracterizou-se por perpetuar as proibições das liberdades de expressão, de reunião e de participação, condições indispensáveis para a realização de programas de Animação Sociocultural.
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